Definição

 

A Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA) é das perturbações do neurodesenvolvimento mais frequentes e estudadas. As crianças com PHDA exibem um conjunto de características e comportamentos disruptivos caracterizados por desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estes sintomas nucleares da PHDA condicionam significativamente o desempenho do indivíduo (crianças, jovens e adultos) nos diversos contextos e atividades (e.g., escolar, social e ocupacional) em que é necessário um comportamento adequado.

 

Em face das alterações comportamentais e neurocognitivas (funcionamento executivo, atenção, memória de trabalho, etc.), as crianças com PHDA tendem a apresentar, com bastante frequência, dificuldades de aprendizagem, dificuldades no relacionamento com os pares, problemas de ajustamento psicossocial, dificuldades em cumprir regras e atingir os objetivos, imaturidade, entre outros.

 

Provavelmente uma das primeiras referências científica sobre os sintomas de PHDA foi efetuada por G. Still (1902) que descreve um conjunto de crianças que apresentavam sintomatologia comportamental muito semelhante à atual PHDA e à Perturbação Desafiante de Oposição. Desde então, o interesse, a investigação e os conhecimentos sobre esta perturbação têm crescido exponencialmente. Em 1968 a PHDA é contemplada, pela primeira vez, como uma categoria diagnóstica no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-II) da Associação Americana de Psiquiatria sobre a designação de Perturbação Hipercinética da Infância.

 

Na década de 70, em especial com os trabalhos de Virginia Douglas os sintomas de défice de atenção começam a emergir como um aspeto central desta perturbação, obrigando à sua redefinição conceptual. Nas décadas seguintes, para além de uma redefinição do conceito, surgiram inúmeros avanços científicos ao nível da avaliação, diagnóstico, intervenção farmacológica, psicológica e psicoeducativa.

 

Das diversas definições existentes sobre a PHDA, selecionamos duas definições:

 

Russell Barkley (1990) define-a como um distúrbio de desenvolvimento caracterizado por graus desenvolvimentalmente inapropriados de desatenção, sobreatividade e impulsividade, as quais têm frequentemente o seu início na primeira infância; têm uma natureza relativamente crónica; não simplesmente explicáveis por deficiências neurológicas, sensoriais, de linguagem, motoras, deficiência mental ou distúrbios emocionais severos. Estas dificuldades aparecem tipicamente associadas a défices no comportamento orientado por regas e na manutenção de um padrão consistente de realização ao longo do tempo.

 

Cardo e Servera-Barceló (2005) referem que a PHDA tem uma base genética, em que estão implicados diversos fatores neuropsicológicos, que provocam na criança alterações atencionais, impulsividade e uma grande atividade motora. Trata-se de um problema generalizado de falta de autocontrolo com repercussões no seu desenvolvimento, na sua capacidade de aprendizagem e no seu ajustamento social.