As taxas de prevalência da Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA) reportadas por diferentes estudos tendem a variar em função do tipo de amostra (clínica ou normativa), do manual de diagnóstico utilizado (DSM-IV-TR, DSM-5, CID-10, etc.), do protocolo de avaliação clínica, dos pontos-de-corte utilizados, entre outros aspetos. O DSM-IV-TR (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, 2002) estima a prevalência da PHDA numa percentagem entre os 3% e os 7% em crianças em idade escolar. Mais recentemente, a Associação Americana de Psiquiatria na revisão do DSM-5 (2013) estima que 5% das crianças e 2.5% dos adultos apresentem PHDA. Apesar de em Portugal ainda não haver dados precisos, diversos estudos em países culturalmente próximos do nosso apresentam percentagens dentro deste intervalo, o que faz crer que a prevalência em Portugal não andará muito longe desta realidade.

 

A PHDA tende a ser mais frequente nos rapazes do que nas raparigas, muito embora, as percentagens possam variar bastante em função do sub-tipo que estamos a analisar. Estudos de prevalência na família parecem demonstrar a natureza hereditária da PHDA, uma vez que são observadas taxas de prevalência mais elevadas quando uma das figuras parentais apresenta o diagnóstico, o mesmo se verifica nas taxas de concordância entre irmãos e entre gémeos monozigóticos.

 

As causas etiológicas da PHDA não são, ainda hoje, totalmente conhecidas, apesar de existirem evidencias sobre a existência de alterações neuroquímicas (ao nível dos neurotransmissores, em particular a dopamina) do córtex cerebral, em particular alterações na área pré-frontal responsável por diversas funções neurocognitivas superiores (funções executivas, memória de trabalho, etc.). A nível genético têm sido identificados e estudados um conjunto de genes que presumivelmente se encontram associados a esta perturbação.